quinta-feira, 3 de maio de 2012



escrevo em tintas invisíveis o que o coração não cansa de gritar,
grito em frases inaudiveis o que a cabeça não cansa de pensar.

sei que me falta coragem, me faltam abraços, me falta um abrigo
sei que o vento frio lembra o quão importante é o sol,
e que a solidão me lembra que eu sou meu melhor amigo.

sábado, 7 de janeiro de 2012

[repost]

ó triste vida de um misero maquinista, trabalho maldito, salario minimalista
sorte minha é parar de viagem em joaçaba, terra querida, em tempos de festa junina,
a alegria e a pinga, me davam animo pra seguir a caminhada;

me deparo então, com malandro bastião, vendedor de televisão, lorotiando passagerios com uma tv preto e branca enrolada em papel crepom,
vitrola fingindo ser audio system surround, tocando olodum espantando os fregueses com seu bafo bebum.

expulso tal malandro, segue viagem então.
proxima parada salvador, cidade abençoada, desço novamente junto com uma torcida organizada,
assistir o jogo do bahia, vitória na certa, tremenda alegria;
calor, cerveja, suor,mais parecido com deserto do saara, um gol contra, cacete, seria miragem ou vertigem causada pela euforia?
minha mãe mesmo me dizia, que o preço que um puro coração valia, pagava a condição de ter sofrido novamente uma dolorosa traição.
mesmo assim a tristeza bate e vem em encontro a minha mesa, tortura minha mente,
sorte de ter me encontrado com o antigo tenente, muy amigo manuel,
hora de afogar as magoas da derrota para o clube de regatas jucuruvi do embaretel, naquele saudoso bordel, ó, venenoso sabor da perdição.

sinto que o gosto de fim de festa vem me atormentar, dinheiro para aquelas bondosas moças pagar, nem manoel, nem o maquinista tinham, a melhor fuga: as rampeiras calotear.
devendo então, seguem seu rumo levando em sua alma toda aquela inesquecivel sedução.
hora do adeus,
adeus salvador, cidade abençoada,

na viajem desgraçada, encontro com meu avô, no maldito trem de destino à belém,
onde me deparo com ânsia de voltar a meus tempos de criança;
aquela fazenda com algumas cabeças de gado e a unica mulher que amei.
roselina, amor de criança que perdura até hoje, ó como éras doce,
romance do qual, nunca me esquecerei.

outra parada, taberna desgovernada;
apelo ao garçom um presidente e um chocolate batom,
estou pronto para deitar, tirar os pesos do meu ombro, relaxar, descançar.
não por muito tempo,

pois minha rotina continua,
em outro bordel paro, faço amor à uma senhora nua, acho que aquele conhaque não me fez bem.
nos meus sonhos a apaixonante cidade de todos os santos
salvador, meu encanto,
volta com uma grande lucidez;
eu, meu avô e a senhora com que transei,
todos numa senzala que até meus 14 anos trabalhei,
jogando capoeira, xadrez, gamão então, subitamente;
acordei.

parecia-me que foi ontem que em joaçaba festejei,
mas quando no calendario olhei, ó grande surpresa,
é carnaval e nem percebi, dia de santo rei!
festa de rua, então, até que enfim, me alegrei;
cervejas, cachaças, fazer amor à qualquer uma,
graças a meu bom Deus, nenhuma doença sexualmente transimissivel eu peguei!

chega a hora então,
hora de fazer, como meus pais e avós me ensinaram,
um bom menino de barroco,
confesso que pequei,
benção ao padre e a todos os santos pedirei,
mas nunca disse, e nunca direi
que essa jornada novamente não farei.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

gostaria de ter uma conversa interessante com alguém.
visões contrárias, argumentos inteligentes, comentários engraçados...

tô cansado de abrir a boca só pra falar merda,
forçar o riso, entrar em assuntos desinteressantes só pra que nosso encontro não fique fadado aquele velho silêncio constrangedor;
o qual tenho de confessar, na maior parte das vezes, me pareceria bem mais confortável.

e não é "curitibisse", não confunda as coisas.
adoro conversar sobre nada, mas chega uma hora que cansa.
até tento ser simpático, mantenho a cabeça bem aberta e forço a exclusão dos meus preconceitos assim que os detecto,
MAS CHEGA DE FALAR DA BUNDA DAQUELA MINA, PORRA.
e, ah, antes que você faça qualquer pré julgamento, deixo claro que não sou viado, aprecio tanto a beleza feminina tanto quanto você, mas acho a repetição desse assunto tão futil quanto conversar sobre sapatos, flagra?

e chega de maconha também, eu gosto, você gosta, todo mundo sabe e todo mundo gosta, não precisa escrachar.
futebol? até gastaria 10 minutos, não mais que isso.
pena que não possuo nenhum conhecimento sobre política, economia, literatura, cinema, história ou ciência;
pena não possuo memorizadas na minha cabeça frases prontas nem citações poéticas.

chega até a ser engraçado perceber enquanto escrevo esse texto que tá aí um grande problema meu...
talvez eu seja um cara desinteressante, tão vazio quanto o que julgo ser vazio,
um cara que sempre quer mais do que merece e que sempre quebra a cara quando isso se torna perceptivel.

bom, meu ultimo cigarro tá acabando, e acho que esse assunto se finda aqui também.
até a próxima.

domingo, 25 de dezembro de 2011

e se eu pudesse viajar no tempo?
refazer erros, rever cenas, reviver lembranças perdidas, controlar e prever o futuro...
talvez este estado seja o mais proximo possivel da morte.

e a beleza dos minutos que perduram horas?
das horas que somem como segundos?
da importantissima insignificancia de milésimos de milésimos de segundos?

o que é o tempo?
passado, presente, futuro.
definições tão solidas e tão falsas, não concorda?
o agora é quando?
e por que existem passados que nunca passam?
o futuro já esta traçado? ainda há tempo de muda-lo?

não sei se creio no destino, não sei se as escolhas que faço são realmente minhas, não sei por que estou aqui, muito menos pra onde vou.
não sei quanto tempo dar ao tempo, não sei se ele é rei ou operário.

e todo tempo que já perdi, não conseguirei reconquistar.
e todo mal que ele me fez, não sei se posso remediar.
e todo bem que ele me fez, não tenho como agradecer.

sei que ninguém tem o poder de sanar minhas dúvidas e, pra ser sincero, nem gostaria disso.
afinal, adoro quando tento acertar qual é a desse tal plano maior de Deus;
e adoro ao ver que estou errado e que o tempo sempre se revela tão surpreendente.


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

354



- abandonei o que me fazia mal, cativei o que me fez bem, perdi o que quis manter, mantive o que realmente importa.
ri de mim mesmo, respirei novos ares, reencontrei velhos amigos, retomei velhos hábitos.
lutei e ganhei, lutei e perdi.
me iludi, desbravei territorios inóspitos, ri até não aguentar a dor de barriga.
errei muito, refleti mais ainda, cicatrizei feridas, gorfei 4 vezes no mesmo rolê.
me senti completo ao estar sozinho, desespeirei-me com a ausencia de amores reais.
não contrai infecção de garganta, contemplei a beleza do sol poente, morri de preguiça de vê-lo nascer. 
fui sincero demais, me tornei frio, senti muito medo, fiquei feliz por ter liberdade dentro da cabeça.
arrotei e peidei ao mesmo tempo, menti um pouco, omiti muito.
desaprendi a escrever, e das vezes que fui humilhado, retribui com um sorriso.
desejei o mal , em seguida me arrependi, tentei ser útil, rezei mais pelos outros do que por mim.
explodi em ira, reconheci gestos de amizade sincera, conheci de verdade meu pai.
vi a decadencia da carne, a debilidade da mente e o amor de verdade.
apostei muitas coisas, mas só uma delas (não) quero mesmo ganhar.

intensamente banal,
interessantemente ocioso.

prefiro ver o lado brilhante desse ano.