sábado, 7 de janeiro de 2012

[repost]

ó triste vida de um misero maquinista, trabalho maldito, salario minimalista
sorte minha é parar de viagem em joaçaba, terra querida, em tempos de festa junina,
a alegria e a pinga, me davam animo pra seguir a caminhada;

me deparo então, com malandro bastião, vendedor de televisão, lorotiando passagerios com uma tv preto e branca enrolada em papel crepom,
vitrola fingindo ser audio system surround, tocando olodum espantando os fregueses com seu bafo bebum.

expulso tal malandro, segue viagem então.
proxima parada salvador, cidade abençoada, desço novamente junto com uma torcida organizada,
assistir o jogo do bahia, vitória na certa, tremenda alegria;
calor, cerveja, suor,mais parecido com deserto do saara, um gol contra, cacete, seria miragem ou vertigem causada pela euforia?
minha mãe mesmo me dizia, que o preço que um puro coração valia, pagava a condição de ter sofrido novamente uma dolorosa traição.
mesmo assim a tristeza bate e vem em encontro a minha mesa, tortura minha mente,
sorte de ter me encontrado com o antigo tenente, muy amigo manuel,
hora de afogar as magoas da derrota para o clube de regatas jucuruvi do embaretel, naquele saudoso bordel, ó, venenoso sabor da perdição.

sinto que o gosto de fim de festa vem me atormentar, dinheiro para aquelas bondosas moças pagar, nem manoel, nem o maquinista tinham, a melhor fuga: as rampeiras calotear.
devendo então, seguem seu rumo levando em sua alma toda aquela inesquecivel sedução.
hora do adeus,
adeus salvador, cidade abençoada,

na viajem desgraçada, encontro com meu avô, no maldito trem de destino à belém,
onde me deparo com ânsia de voltar a meus tempos de criança;
aquela fazenda com algumas cabeças de gado e a unica mulher que amei.
roselina, amor de criança que perdura até hoje, ó como éras doce,
romance do qual, nunca me esquecerei.

outra parada, taberna desgovernada;
apelo ao garçom um presidente e um chocolate batom,
estou pronto para deitar, tirar os pesos do meu ombro, relaxar, descançar.
não por muito tempo,

pois minha rotina continua,
em outro bordel paro, faço amor à uma senhora nua, acho que aquele conhaque não me fez bem.
nos meus sonhos a apaixonante cidade de todos os santos
salvador, meu encanto,
volta com uma grande lucidez;
eu, meu avô e a senhora com que transei,
todos numa senzala que até meus 14 anos trabalhei,
jogando capoeira, xadrez, gamão então, subitamente;
acordei.

parecia-me que foi ontem que em joaçaba festejei,
mas quando no calendario olhei, ó grande surpresa,
é carnaval e nem percebi, dia de santo rei!
festa de rua, então, até que enfim, me alegrei;
cervejas, cachaças, fazer amor à qualquer uma,
graças a meu bom Deus, nenhuma doença sexualmente transimissivel eu peguei!

chega a hora então,
hora de fazer, como meus pais e avós me ensinaram,
um bom menino de barroco,
confesso que pequei,
benção ao padre e a todos os santos pedirei,
mas nunca disse, e nunca direi
que essa jornada novamente não farei.

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